Trançando um paralelo, uma relação entre os símbolos oficiais, o que eles representam e a realidade atual, vemos que muito se modificou. Se nossa bandeira e brasão fossem elaborados hoje, certamente teriam outras figuras e representações.
O amarelo que representa as riquezas minerais, talvez não tivesse o mesmo destaque. Muito temos a oferecer, mas nosso potencial não representa grande impacto na economia piauiense.
Os maiores representantes das exportações piauienses são a soja e a cera de carnaúba, que juntas são responsáveis por 77% das exportações. Fica assim evidenciado que as duas principais culturas já não são mais do algodão e da cana-de-açúcar.
Com uma historia cultural de extrativismo, mineral e vegetal, o Paiui engatinha no que diz respeito ao beneficiamento e agregação de valor nos produtos primários. Exporta-se quase tudo "in natura". O beneficiamento, que deveria ser feito aqui, poderia gerar mais emprego e renda, entretanto este também é exportado.
Consequentemente, o piauiense compra seus produtos, sua riqueza, porém já processados e industrializados, tal qual ocorria nos tempos do império, quando do Brasil colônia saiam embarcações cheias de matérias-primas e estas retornavam em forma de mercadorias.
É certo que o Piauí não é um estado desprovido de indústrias, mas não possui uma cultura industrial forte. Tem-se o potencial, falta-lhe o investimento.
A tentativa de mudar essa cultura tem que ser mais agressiva. O "aliciamento" de empresas por parte dos estados brasileiros é impressionante. Assim, ficam na dianteira e com mais "munição" os estados que historicamente detém o maior patrimônio industrial e riqueza, ofertando melhores condições para as empresas, o que torna a concorrência desleal. Os incentivos fiscais ofertados por estados vizinhos, dificulta a escolha pelo solo piauiense.
A estrela de prata no Brasão, referência às aspirações de progresso, bem que poderia ser verde, pois assim agregaria tanto a vontade de crescimento e desenvolvimento como a esperança, a qual a cor verde faz alusão. Assim ficam unidas duas aspirações do estado, tornando uma simbologia à esperança de progresso.
Os três peixes, da espécie piau, representam os rios canindé, parnaíba e poti. O piau vem se tornando mais raro a cada ano. Tal fato ocorre também com os rios, em especial com o Parnaíba, que tem tido seu leito assoreado, tornando-o inavegável em determinados locais. O que nos leva a crer que em mais alguns anos, se não forem tomadas medidas urgentes, estará em alguns trechos totalmente seco. Isso já pode ser testemunhado, principalmente em Teresina, onde as chamadas "prainhas" crescem em numero e extensão.
As três palmeiras, tão exuberantes e belas. Molduram bem qualquer paisagem. São meios de subsistência de grande parte da população do Estado. Igualmente se destaca a importância destas no artesanato, do qual o Piauí tem um dos melhores pólos do Nordeste, com reconhecimento internacional.
O babaçu tem papel importante no desenvolvimento de biocombustíveis, com o óleo extraído, que também serve na culinária, assim como sua amêndoa. O Buriti serve para aproveitamento alimentar, entre outras aplicações. E por fim a Carnaúba, chamada de árvore da providência, pois dela tudo se aproveita, especialmente a sua cera conhecida como o "ouro branco" do Piauí.
A inscrição 24 de janeiro de 1823, refere-se ao dia em que o Piauí declarou-se independente de Portugal, aderindo ao movimento de independência, fato ocorrido na cidade de Oeiras – antiga capital da Província.
O 13 de março, refere-se a mais sangrenta das batalhas deflagrada em prol da independência do Brasil, data e fato ainda pouco conhecido pelo povo brasileiro, mas que consagrou a força, entusiasmo, coragem e determinação do povo piauiense, presentes àquela época e vista ainda nos dias atuais.
Por fim a expressão em latim "Impavidum ferient ruinae", significam ao pé da letra "suas ruínas feri-lo-iam sem assustá-lo". É a ultima sentença de uma Ode escrita pelo pensador italiano Quinto Orazio Flacco. Esta sentença é antecedida pela expressão "Si fractus illabatur orbis" (Se o mundo despedaçado desmoronasse).
A expressão completa seria, traduzindo do latim, mais ou menos isto: "Se o mundo despedaçado desmoronasse, suas ruínas iriam feri-lo, mas não o assustariam". Expressão que serve para representar bem o povo piauiense.
Em síntese, quer dizer que mesmo diante de desventuras e obstáculos, o homem poderia sair ferido, mas não abatido. Teria ainda determinação para seguir, continuar a luta. Orazio descreve um homem que não desiste e esmorece frente a desgraças. Ficam as cicatrizes, mas a ferida sara.
Assim é o povo do Piauí. Um povo que ama seu Estado, que ama sua terra, onde deseja criar os filhos. Homens e mulheres obstinados a crescer, progredir e prosperar. Que por vezes são tombados, como ocorreu no Jenipapo, mas que não caem em vão.
A determinação dos heróis do Jenipapo ainda é vista em muitos rostos.
Um povo que luta por sua independência – cultural, social e econômica. Que se orgulha de sua historia e de seu Estado.
Piauí.
Artigo de autoria do deputado Antônio Félix publicado no 180graus.com