Não se questiona aqui a falta destes profissionais ou de sua qualificação, mas sim o número destes, suas áreas de atuação e ainda a oferta de cursos técnicos e superiores, capazes de atrair mais jovens para esses setores.
As engenharias mecânica, química e bioquímica, de produção, elétrica, ambiental e industrial, a Mecatrônica e o Desenho Industrial são alguns exemplos de cursos muito procurados pelos jovens nas regiões sudeste e sul, isso devido a grande procura por profissionais que dominem estes conhecimentos. O Piauí ainda não oferta muitos destes, o que leva a procura de profissionais em outros estados, enquanto nossos jovens ficam sub-aproveitados.
Se queremos ter um estado mais desenvolvido industrialmente, temos que tomar um posicionamento mais agressivo, não visando o imediatismo, mas sim um projeto de médio e longo prazo, no qual teremos metas pré-estabelecidas e concretas a serem alcançadas.
De tempos em tempos, vemos os representantes do Piauí tentando atrair e trazer industrias e empresas para se instalarem em solo piauiense. Também se deve observar e levar em consideração é que temos que formar um “Hall” de homens e mulheres capazes e qualificados, para que estes operem dentro de nossas fronteiras, sem a necessária procura por empresas estranhas ao nosso estado.
A experiência tem nos mostrado que muitas empresas se instalam em determinadas regiões, chegam como geradoras de emprego e renda, mas em determinado tempo, depois de esgotada uma reserva de matéria-prima ou do incentivo ofertado pelo governo, algumas destas vão embora deixando para trás uma série de problemas ambientais, trabalhistas ou financeiros.
No processo de industrialização, as empresas que se instalam, trazem e levam conhecimento. Este processo é dinâmico, ocorre ai o “feedback”, ou troca de experiências. São trazidos novos conceitos como se leva também. Cabe ao piauiense tirar proveito dessa experiência, criando indústrias e inovações. Sendo necessário para isso de pessoal treinado e disposto.
Desta maneira, o conhecimento tem que ser absorvido e assimilado, buscar experiências fora é salutar. Somos capazes de trazer novas tecnologias, entretanto e o mais importante a ser considerado é que temos também a capacidade de criá-las.
Um dos pontos a serem efetivamente trabalhados, para que o Piauí possa ser fortemente impulsionado no seu processo de industrialização, é o de ampliar e diversificar a oferta de educação profissional, no ensino médio e superior, de forma a atender as demandas voltadas a indústria e comércio, além de otimizar as capacidades tecnológicas, cientificas e operacionais, visando a inserção social do jovem profissional.
No Piauí existe um numero ilimitado de potencialidades e de recursos que podem ser aproveitados, entretanto temos que formar um quadro técnico e cientifico mais aprimorado fruto das instituições de ensino piauienses, com mais empenho dos setores responsáveis pela educação e formação profissional.
O processo de desenvolvimento industrial tem de adotar várias diretrizes. O conjunto dessas serve para formalizar uma política adequada de desenvolvimento e propulsão industrial.
Ocorre, hoje, no Brasil e no mundo uma gradual descentralização dos pólos industriais e a implantação de indústrias em outras regiões.
Os campos mais visados não são mais o do sudeste ou do sul do pais. A “Última Fronteira” industrial e agrícola, da qual muitos falam, está localizada no nordeste e norte do Brasil. A instalação de várias empresas nos últimos anos tem demonstrado isso.
Porém, quando a instalação se inicia, vemos que muitos profissionais também são “importados”, pois ainda é muito tímida nossa “armada” de engenheiros e técnicos. Os que formamos são muito bem qualificados, mas quase sua totalidade está na área civil ou da agronomia.
Temos potencial de nós mesmos tomarmos as rédeas e fortalecermos nosso pólo industrial. A estratégia pela busca de novas empresas não deve ser abandonada, nem descartada, porém o mesmo empenho e dedicação deve ser dado a uma política voltada para o próprio cidadão piauiense, que quer implantar ou criar sua própria indústria, aproveitando o que nosso estado oferta.
Com certeza, e sem sombra de duvida, o piauiense tem muito mais comprometimento com seu povo e sua terra. Falta-lhe somente um impulso e oportunidade.
A política de investimento aos novos empreendedores tem de ser revista e aprimorada, tendo em vista a concorrência acirrada que testemunhamos no mercado atualmente, bem como a política de formação de profissionais.
A educação, indiscutivelmente, é a base de tudo. Com uma boa educação profissionalizante poderemos formar mentes voltadas para a indústria e tendo foco na produção e crescimento da economia, deixando de ser um empregado e se tornando um empreendedor. O Piauí é grande, temos potencial, falta aproveitá-lo plenamente, e o cidadão piauiense é que deve ter a preferência disso.
Qualquer política de desenvolvimento elaborada deve ser primeiramente direcionada para o filho do Piauí. Mais do que justo é o piauiense crescer tirando os frutos de sua terra e fazendo desenvolver ainda mais o seu estado.
As empresas e industrias são bem vindas, mas o piauiense tem que acordar, e cobrar de seus representantes políticas voltadas para o incentivo às industrias e beneficiamento de suas potencialidades. Não se pode ficar entorpecido, ou adormecido frente ao que ocorre no mundo e a nossa volta.
O piauiense tem seu valor, deve dar seus próprios passos e mostrar que contribui com conhecimentos, inovações e tecnologias. O “mundo”, no futuro, é que virá aqui, aprender com nossas mentes, no que diz respeito a industrialização. O tempo é que dirá.