As grandes diferenças sociais entre as pessoas, indicam ausência de efetivas ações em educação. Mas, o que fazer para que essa realidade se modifique? Onde está a visão de mudança, de desenvolvimento e de direitos do ser humano?
As questões ligadas à educação, tem sido alvo de discussões, em diversos segmentos da sociedade brasileira. Não se contesta porém alguns avanços promovidos com a criação do FUNDEF – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental, substituído pelo FUNDEB – Fundo de Manutenção de Desenvolvimento da Educação Básica e valorização dos profissionais de educação. O FUNDEB deve garantir a educação básica a todos os brasileiros, da creche ao ensino médio, inclusive àqueles que não tiveram oportunidade de estudar no momento em que deviam estar na escola.
O FUNDEF atendia 30 milhões de estudantes brasileiros, já o FUNDEB, com a inclusão dos demais segmentos da educação básica – creches, educação infantil e especial, ensino fundamental e médio, educação de jovens e adultos – atende a cerca de 47 milhões de estudantes.
Apesar disso o Brasil não se posiciona com destaque no cenário da educação mundial. Há muito o que se fazer. O cidadão do futuro merece ter sua cidadania reconhecida no presente – acesso a educação de qualidade, inclusiva, com tecnologia disponível e perspectiva de ingresso em cursos profissionalizantes ou no ensino superior. Os obstáculos que interferem os direitos democráticos, devem se tornar motivação àqueles que detém o poder, objetivando eliminar ou minimizar essas barreiras.
A sociedade civil como um todo, também tem o direito, senão o dever, de interagir, merecendo a oportunidade de questionar, sugerir, apontar falhas e soluções, tudo isso em consonância com os poderes formalmente constituídos.
Não se pode almejar uma educação de qualidade sem que para isso haja investimento na formação dos profissionais da educação. E ai podemos até questionar: “Mas como isso deve acontecer, se ainda não contamos com a universalização da formação de educação básica?”
Uma grade curricular bem debatida, elaborada, planejada e adotada em todas as escolas do país, respeitando as diversidades regionais e culturais existentes, com certeza iriam diminuir as discrepâncias que existem hoje. É comum vermos duas escolas localizadas na mesma área, atendendo o mesmo tipo de clientela, porém com currículos e desempenhos diferenciados.
Testemunhamos também, a existência de muitos professores leigos, ou seja, aqueles que não possuem uma formação superior. Muitos estados e municípios brasileiros se esforçam, mas não conseguem atingir sua totalidade.
As universidades federais que são de responsabilidade da união, também deixaram a desejar em relação ao oferecimento de cursos superiores para a formação de professores. Questionasse a qualidade de muitos cursos oferecidos com essa finalidade. Isso se acentua mais, quando essa formação é oferecida por instituições privadas. É verdade que algumas são boas, mas são poucas. Os resultados estão com o ENADE – Exame Nacional de Desempenho Escolar.
O poder público deve rever essa situação, pois se constata que as licenciaturas não são consideradas importantes para as universidades. Há urgência de mais investimentos que ampliem a formação dos licenciados.
Outro canal de formação é a utilização da formação à distancia, porém essa modalidade de ensino superior impossibilita a aproximação, a troca freqüente de experiência entre educandos e educadores, o olho no olho entre professor/aluno.
Além dos melhoramentos estruturais e físicos, da formação pedagógica, dos recursos técnicos, existe a questão salarial. A instituição do piso nacional terá repercussão positiva na maioria dos municípios, a organização de planos de carreira dará mais sustentação para a valorização profissional. Melhoria salarial implica na melhoria da qualidade da educação.
O certo é que, diante de todos os implementos visto nos últimos anos, de toda a propaganda veiculada sobre os avanços educacionais, em 2008 o Brasil figura na 59ª do ranking tecnológico mundial e ocupa a 76ª posição entre os 129 países avaliados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no que refere à situação da educação básica.
Com esses dados, vemos que ainda temos muido que fazer pela educação brasileira. Recentemente o Brasil sediou o chamado G20, na cidade de São Paulo. O G20 é um grupo formado por 20 paises, desenvolvidos e os emergentes, para tratar de assuntos referentes a questões econômicas. Sabemos também, do anseio dos governantes em ver o Brasil no chamado G8.
Mas como fazer parte desse grupo se ainda figuramos longe, nas posições que se referem aos critérios de educação ? Às vezes se dá muito mais conotação e valor às questões e indicadores econômicos. Todos nós sabemos que a posição do Brasil em qualquer ranking mundial vai estar sempre e diretamente ligada a qualidade da educação oferecida no pais.
Enquanto a educação não conseguir o destaque merecido nas discussões políticas, sociais e por que não econômicas, o pais não conseguirá se colocar efetivamente entre os melhores do globo.